Um mediador multifacetado: o PDA

16 Janeiro 2009

 

PDA do Museu Nacional da Coreia

PDA do Museu Nacional da Coreia

            Pese embora o facto de serem ainda raros os museus portugueses que facultam áudio-guias aos seus visitantes, há já no mercado um novo produto que começa a fazer sucesso em muitos museus do globo. Os pequenos assistentes pessoais digitais (PDA – Personal Digital Assitant) estão já disponíveis em vários museus dos E.U.A. e da Europa, como por exemplo na Tate Modern em Londres ou na Cité de l’Architecture et du Patrimoine em Paris.

            São múltiplas as vantagens deste novo “brinquedo” digital, mas a crescente utilização da tecnologia para potenciar a aprendizagem individual pode acarretar consigo também algumas limitações. Como poderemos então explorar ao máximo estes novos gadjets e atenuar os seus inevitáveis efeitos negativos?

  Leia o resto deste artigo »


Museus de Arte e Comunicação: de Jacques Hainard a Rui Sanches

15 Dezembro 2008

 

Rui Sanches - MNAA

 

 “Não estou convencido que o papel principal dos museus seja o de comunicar.”

  

     Proferida por uma das mais respeitadas pessoas no quadro museológico nacional, esta afirmação revela a grande incerteza que ainda existe sobre a função dos museus na sociedade. O autor desta opinião referia-se aos museus de arte, afirmando que estes possuem especificidades muito próprias (entenda-se produção de conhecimento e fruição estética), não devendo portanto adoptar as mesmas metodologias de comunicação que os museus de ciência ou de história social. A informação em museus de arte (painéis de sala, tabelas desenvolvidas, etc) poderia desagradar, e consequentemente afastar, uma parte muito importante do público (o visitante erudito). Leia o resto deste artigo »


Objectos que importam – Resposta a comentários

2 Dezembro 2008

 

      O texto que desenvolvi a propósito da importância da multiplicidade de interpretações dos objectos de forma a valorizá-los junto dos públicos suscitou alguns comentários muito oportunos que merecem da minha parte uma resposta.

 

      A função de aumentar os números de visitantes de um dado museu não pode efectivamente ser imposta a um só departamento, devendo ser antes um objectivo de toda a equipa do museu. Cabe portanto ao director estabelecer essa “política global” de atracção de públicos em que deve estimular os modos como cada elemento do pessoal pode contribuir (melhor acolhimento ao nível dos guardas, melhor informação, um marketing mais atractivo, etc.).

 

      O que defendo no meu texto é que os serviços educativos podem nesta matéria desempenhar um papel vital para captar o interesse dos visitantes simplesmente indo ao encontro das suas motivações. Ninguém vai voluntariamente a um museu sem motivos muito específicos, e como tal é necessário que o museu saiba como responder a essas necessidades para que o visitante sai satisfeito e com vontade de regressar.

 

      Mas apesar de todos os serviços que o museu possa oferecer, os objectos devem estar sempre no centro da experiência do visitante. É efectivamente difícil que “o objecto só por si [seja] capaz de gerar visitação”, mas é precisamente por esta razão que os serviços educativos têm uma tão grande importância dentro de um museu. Eles devem disponibilizar em redor do objecto todo um conjunto de actividades que atraiam o visitante para que este estabeleça uma relação, ainda que indirecta, com o objecto. O objectivo principal deverá ser sempre torná-lo importante para o visitante: porque é valioso, porque é bonito, porque é uma “relíquia histórica”, porque é grande, porque é “nosso”, porque remete para memórias pessoais, porque é único. Se for possível estabelecer esta relação talvez possamos ver os índices de participação cívica nas questões relativas ao património aumentarem entre a população.

 

      Talvez os serviços educativos não sejam “A COMPONENTE”, mas a sua actividade é absolutamente fundamental para a missão de qualquer museu. A sua responsabilidade não deve nunca ser limitada à simples transmissão de conhecimentos. Perante as dificuldades com que os educadores têm que lidar diariamente, talvez a resposta passe por criar um departamento semelhante aos “outreach departments” ingleses, de modo a estabelecer ligações com novos públicos. No entanto, em vez que multiplicar estruturas dentro da organização, penso que os serviços educativos podem fazer este trabalho desde que as suas estratégias deixem de se basear numa comunicação unilateral e passem a estabelecer um diálogo com o visitante.

 


Objectos que importam

11 Novembro 2008

 

Sejamos francos: só um motivo muito forte pode ser suficiente para fazer o mais comum dos mortais escalar cento e tal degraus para ver a Custódia de Belém uma segunda vez! Se por um lado a apresentação da obra restaurada, que se espera para breve, pode ser um motivo bastante convincente, por outro isso jamais passará a gerar engarrafamentos infinitos nas Janelas Verdes. Qual é então a solução para tornar a dita custódia, os azulejos com a vista da Lisboa pré-terramoto ou o guerreiro calaico-lusitano em pólos de atracção capazes de competir com aquela pastelaria ali para os lados de Belém? Leia o resto deste artigo »