Objectos que importam – Resposta a comentários

 

      O texto que desenvolvi a propósito da importância da multiplicidade de interpretações dos objectos de forma a valorizá-los junto dos públicos suscitou alguns comentários muito oportunos que merecem da minha parte uma resposta.

 

      A função de aumentar os números de visitantes de um dado museu não pode efectivamente ser imposta a um só departamento, devendo ser antes um objectivo de toda a equipa do museu. Cabe portanto ao director estabelecer essa “política global” de atracção de públicos em que deve estimular os modos como cada elemento do pessoal pode contribuir (melhor acolhimento ao nível dos guardas, melhor informação, um marketing mais atractivo, etc.).

 

      O que defendo no meu texto é que os serviços educativos podem nesta matéria desempenhar um papel vital para captar o interesse dos visitantes simplesmente indo ao encontro das suas motivações. Ninguém vai voluntariamente a um museu sem motivos muito específicos, e como tal é necessário que o museu saiba como responder a essas necessidades para que o visitante sai satisfeito e com vontade de regressar.

 

      Mas apesar de todos os serviços que o museu possa oferecer, os objectos devem estar sempre no centro da experiência do visitante. É efectivamente difícil que “o objecto só por si [seja] capaz de gerar visitação”, mas é precisamente por esta razão que os serviços educativos têm uma tão grande importância dentro de um museu. Eles devem disponibilizar em redor do objecto todo um conjunto de actividades que atraiam o visitante para que este estabeleça uma relação, ainda que indirecta, com o objecto. O objectivo principal deverá ser sempre torná-lo importante para o visitante: porque é valioso, porque é bonito, porque é uma “relíquia histórica”, porque é grande, porque é “nosso”, porque remete para memórias pessoais, porque é único. Se for possível estabelecer esta relação talvez possamos ver os índices de participação cívica nas questões relativas ao património aumentarem entre a população.

 

      Talvez os serviços educativos não sejam “A COMPONENTE”, mas a sua actividade é absolutamente fundamental para a missão de qualquer museu. A sua responsabilidade não deve nunca ser limitada à simples transmissão de conhecimentos. Perante as dificuldades com que os educadores têm que lidar diariamente, talvez a resposta passe por criar um departamento semelhante aos “outreach departments” ingleses, de modo a estabelecer ligações com novos públicos. No entanto, em vez que multiplicar estruturas dentro da organização, penso que os serviços educativos podem fazer este trabalho desde que as suas estratégias deixem de se basear numa comunicação unilateral e passem a estabelecer um diálogo com o visitante.

 

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