Case Study: Museu do Fado

 

 

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“Pode então passar pelo bengaleiro para levantar o seu audioguia, por favor.”

 

Esta indicação, perfeitamente natural num museu londrino, surpreende o visitante nacional que entra no renovado Museu do Fado. Passados anos e anos a ouvir desculpas sobre a inviabilidade financeira de audioguias nos museus nacionais, eis que é um museu municipal o primeiro museu público da capital a disponibilizar este tipo de equipamento educativo aos seus visitantes. Este audioguia, que tem uma dupla função – faz o acompanhamento normal da visita e permite ouvir uma série de fados de intérpretes diferentes –, não é senão a primeira das surpresas da nova museografia deste museu lisboeta. Seguem-se:

 

  • Painéis de sala de tamanho adequado para a leitura em espaço museológico;
  • Acessibilidade no vocabulário utilizado;
  • Disponibilização de bancos nos locais onde é incentivada a deleitação dos objectos expostos;
  • Oferta de informações especializadas em formato de consulta facultativa (nomeadamente através de um livro digital);
  • Utilização diversificada de meios audiovisuais;
  • Criação de um espaço próprio para ouvir gravações de fado (o que é um meio interessante de potenciar o usufruto da colecção de fonogramas históricos);
  • Ambiente acolhedor criado por um design que privilegiou a suavidade do branco.

 

A diversidade e a quantidade dos recursos disponibilizados possibilitam múltiplos percursos de visita. Ao visitante é dada a oportunidade de seleccionar o que deseja ouvir e com que nível de informação, o que, a meu ver, estimula o seu interesse e fomenta o seu desejo de regressar ao museu.

 

Para além disto, a oferta de serviços suplementares, tais como a cafetaria com esplanada, a loja especializada, a escola de guitarra portuguesa ou o auditório, tornam este museu num pólo de regeneração da área envolvente. Se por um lado funciona como foco de atracção turística, potenciando a dinamização de actividades comerciais paralelas, por outro articula-se com o bairro de Alfama acentuando-lhe a sua ligação identitária à canção lisboeta. Não poderá o Museu do Fado ser, acima de tudo, um espaço de congregação social e valorização do indivíduo na comunidade tal como acontece com outro tipo de organizações de associativismo local?

 

 

 

 

 

 

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